Fascinante e controversa, a inteligência artificial (IA) está presente em quase tudo no nosso dia a dia – desde as salas de aula e locais de trabalho, passando pelo teu telemóvel ou pelas conversas entre amigos.
No entanto, a mesma tecnologia que nos ajuda a aprender e a criar, também pode diminuir o pensamento crítico e amplificar desigualdades. Continua a ler para explorares o que é a IA, como funciona e como equilibrar os seus riscos e benefícios.
O que é a inteligência artificial?
A IA é um campo da tecnologia dedicado a criar sistemas capazes de realizar tarefas que antes exigiam intervenção humana.
Isto inlcui tarefas como: identificar padrões, reconhecer e traduzir idiomas, operar meios de transportes e outros tipos de máquinas, planear e executar tarefas que exijam, ou não, raciocínio, etc.
Quando falamos de inteligência artificial, na verdade estamos a falar da capacidade de uma determinada ferramenta de pensar e aprender com a informação que lhe é dada, e de melhorar o seu desempenho de forma autónoma com base nesses mesmos dados.
Esta aprendizagem é a base de muitos serviços digitais que usamos diariamente, como os assistentes virtuais, ferramentas de edição de imagem, aplicações de navegação, etc.
Machine learning e deep learning
O machine learning (aprendizagem automática) é uma das bases da IA. Uma vez que esta funciona com base em modelos e algoritmos matemáticas, além de grandes volumes de dados, o machine learning é a área da ciência computacional que treina os sistemas para aprenderem padrões e tomar decisões autónomas.
Isto permite que os computadores analisem grandes quantidades de informação e aprendam com ela, sem serem programados para cada cenário específico.
Uma das vertentes mais poderosas desta área, é o deep learning (aprendizagem profunda), que utiliza redes neuronais inspiradas no cérebro humano para processar os dados.
Este tipo de algoritmos tornou possível, por exemplo, a tradução instantânea, o reconhecimento facial ou a geração de conteúdos criativos.
Benefícios da inteligência artificial
O avanço do machine learning e do deep learning trouxe benefícios palpáveis para o nosso dia a dia:
- Informação simplificada: ferramentas capazes de resumir textos extensos ou de explicar conceitos complexos ajudam estudantes de todas as idades a aprender
- Eficiência e produtividade: a automatização de tarefas repetitivas permite que empresas e indivíduos poupem tempo, concentrando‑se noutras atividades
- Personalização de conteúdos: seja a recomendar séries ou a adaptar conteúdos educativos, a IA ajusta a experiência ao perfil e às necessidades dos utilizadores
- Criatividade assistida: a IA generativa permite criar textos, imagens ou música a partir de instruções simples, abrindo novas possibilidades de expressão artística
Nada disto são ideias futurísticas. De acordo com um recente estudo da Universidade Nova, 85% das crianças e jovens portugueses assumem usar ferramentas de IA para algum tipo de atividade quotidiana.
Entre os mais novos (9 a 11 anos), 78% admitem recorrer a esta tecnologia. Estes números demostram como a IA não só se tornou numa tecnologia útil mas também comum, estando já naturalizada entre miúdos e graúdos.
Riscos e responsabilidades
Claro que a crescente adoção da inteligência artificial levanta questões importantes.
A facilidade e rapidez das respostas podem conduzir a um excesso de confiança e à redução do pensamento crítico, sobretudo quando se toma como garantida a veracidade do que é gerado.
O mesmo estudo, aponta que 25% dos jovens recorrem a chats de IA generativa para apoio emocional e pessoal, o que evidencia tipos de relacionamento com a IA que já não são puramente instrumentais. Isto revela ainda o poder persuasivo, rápido, personalizável e crescente dos discursos produzidos pela inteligência artificial.
Outra preocupação prende-se com a acentuação da “divisão digital”: jovens de meios socioeconómicos mais favorecidos terem maior acesso a esta tecnologia, enquanto outros ficam para trás.
Inteligência artificial e liberdade de escolha
A relação entre os riscos e benefícios da IA e a liberdade de escolha de cada um é óbvia. Os benefícios tornam-se positivos quando as pessoas têm informação, espírito crítico e liberdade de decisão. Da mesma forma, os riscos surgem quando deixamos de escolher conscientemente e passamos apenas a seguir o que a tecnologia determina.
Na DIGI, acreditamos que a tecnologia deve ser uma aliada das pessoas, daquilo que nos torna humanos, e não apenas um substituto.
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